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E a moda hoje? Como podemos defini-la, em 6 partes!

1 – Grande parte dos estudiosos explicam que a indumentária surgiu com três finalidades principais: adorno, pudor e proteção.

O adorno é o verdadeiro motivo que conduziu o homem à adoção de vestimentas e ainda as suas funções de preservação da temperatura corporal e do pudor. Vestir o corpo sempre foi um dos meios pelos quais o ser humano produziu significação na sociedade.

Essa motivação, de caráter tanto social quanto psicológica, mostra que a indumentária foi adotada como forma de expressão pela humanidade. O adorno tem como finalidade essencial embelezar a aparência física, de modo a atrair os olhares e a admiração de outros, e fortalecer a autoestima.

o pudor procura ocultar partes do corpo que possam chamar a atenção ou causar desejo. Sendo assim, por meio das roupas, buscamos satisfazer duas tendências contraditórias, de dois pontos de vista, aparentemente, incompatíveis; de um lado, exibir atrativos; de outro, ocultar vergonhas.

Ao longo dos séculos, a sociedade evoluiu e as características relativas às roupas se adequavam a cada época. Mesmo sendo o adorno uma das principais características da indumentária o pudor e a proteção são igualmente importantes, pois estão presentes em todos os momentos e influenciaram, cada um à sua maneira, a evolução da moda ao longo do tempo.

A segunda finalidade do uso do vestuário é o pudor, pois as pessoas utilizam as roupas como forma de cobrir o corpo, devidos às exigências morais da sociedade. Esta característica é geralmente definida pelo contexto cultural e religioso de cada sociedade. Em alguns países, ou entre praticantes de certas religiões, a mulher deve andar coberta, enquanto que, pelo contrário, em outros países e outras religiões o uso de roupas muito curtas e justas não é sinal de falta de respeito ou falta de pudor.

A terceira função do vestuário é a ornamentação, pois os adornos possibilitam enriquecer nossos atrativos físicos, afirmar nossa criatividade e individualidade ou sinalizar nossa associação ou posição dentro de um grupo ou cultura. Esses três princípios da indumentária foram evoluindo até chegar em uma das grandes mudanças da sociedade, o surgimento da moda.

O surgimento da moda ocorre durante o século XIV, tendo como uma das causas a diferenciação dos trajes masculino e feminino. Moda é o uso ou hábito geralmente aceito, variável no tempo, resultante de determinado gosto ou ideia, e de interferências do meio. Reflete os costumes, os valores da sociedade em um período de tempo. Por isso, a moda também é considerada um fenômeno social e cultural, já que expressa os valores da sociedade, usos, hábitos e costumes, em um determinado momento, consistindo na mudança constante de estilo, mudança esta advinda da necessidade de conquistar ou manter uma determinada posição social. Ou seja, moda é o reflexo das transformações da sociedade, dos costumes e do comportamento em geral.

Neste post compreendemos um pouco sobre os princípios do vestir e do surgimento da moda. Nos próximos vamos entender mais um pouco sobre o surgimento da moda e suas peculiaridades.

2 – Ainda sobre o surgimento da moda, vamos entender mais suas características e funcionamento.

Foi na segunda metade do século XIV que as roupas, tanto masculinas quanto femininas, adquiriram novas formas e surgiu algo que já podemos chamar de “moda”. As transformações relevantes na forma de vestir das sociedades podem ser consideradas sinalizadores para o surgimento da moda, que não pertence a todas as épocas nem a todas as civilizações, mas surgiu e consolidou-se no Ocidente. A roupa sempre foi o diferenciador social, uma espécie de retrato de uma comunidade ou classe e a roupa pode revelar o perfil de uma pessoa em particular e da sociedade em geral.

Com o desenvolvimento da moda, novas características surgiram, além da diferenciação de sexo, passou a se destacar a diferenciação de classes. Embora esta característica fosse comum na maioria das sociedades até o advento da moda, enquanto código de indumentária, foi em sociedades caracterizadas pela mobilidade vertical que a moda, enquanto tal, se tornou uma característica diferenciadora entre classes. Nas sociedades não aristocráticas as classes sociais mais elevadas viram no constante fluir da moda uma forma de manter a sua identificação em relação às classes sociais menos favorecidas.

A sazonalidade, isto é, a duração por um determinado período de tempo das propostas de moda, é outra característica marcante. Até ao século XX, a moda afirmava-se com lentidão e com igual lentidão era substituída. O processo de adaptação das roupas por parte da classe baixa era lento, pois as novidades não eram constantes, era um ciclo que refletia um processo contínuo, mas lento.

A moda surgia nas classes dominantes, a aristocracia, que era lançadora de novos trajes e ditava as próximas novidades em termos de vestuário. As outras classes, por sua vez, tentavam adaptar ao seu vestuário as novas características das classes altas para tentar assim adquirir mais status. Isto desencadeava um processo de contágio social no qual os estilos eram adotados por grupos de status sucessivamente inferiores.

Quando a moda chegava as classes mais baixas, a classe alta já havia adotado estilos novos, pois o anterior estava banalizado. Os grupos superiores buscam novas modas para assim manter a sua imagem, ou seja, “a moda difundia-se das classes altas para as mais baixas”.

3 – As teorias de propagação da moda.

Após a consolidação da moda como mudança, busca por diferenciação e sua inserção total na sociedade, vamos entender mais sobre as teorias de propagação da moda desde seu início.

A teoria mais conhecida sobre moda é a de George Simmel, que é denominada de “trickle down effect”, que define as mudanças na moda como um processo de imitação das elites sociais por parte de seus inferiores. Esta teoria indica que as classes mais altas iniciam as tendências de moda e estas fluem para as classes médias e depois descem e atingem as mais baixas classes sociais.

Esta teoria funciona como uma pirâmide, sendo o seu topo ocupado pelas classes dominantes, seguindo-se a classe média e as classes mais baixas. Assim a moda seria propagada aos grupos inferiores, pelo movimento “trickle down”, ou seja, de cima para baixo. Isto significa que os grupos sociais inferiores tentam adotar os símbolos dos grupos superiores procurando subir na escala da mobilidade social.

Podemos então considerar que com estas mudanças no vestuário o mesmo deixou de ser um fenômeno raro ou acidental e passou a regular os prazeres das classes dominantes, instaurando o culto das novidades. Quanto mais as classes inferiores copiavam, mais a classe alta mudava, passando a cultuar essas mudanças e a apreciar as novidades, fazendo com que elas começassem a ser cada vez mais presentes na sociedade.

Se até ao século XVIII as inovações se difundiam das classes altas para as mais baixas, a partir do século XIX, com o surgimento da Alta-Costura, o conceito de moda sofreu algumas modificações, tornando o costureiro o “ditador de moda”. Assim, era ele quem decidia o que seria adotado pelas classes altas e mais tarde imitado pelas classes menos favorecidas. A Alta-Costura foi pioneira no lançamento de tendências – como as conhecemos hoje – ditando conceitos, formas, estilos e cores que seriam imitados pelas indústrias. A definição das tendências, durante cem anos, dependeu quase exclusivamente das visões de moda proposta pelos costureiros franceses.

Se no início as tendências eram ditadas pela corte, depois pelos costureiros, no período que antecede a II Guerra Mundial era definida pelos adultos e copiada pelos jovens. Nas décadas de 50 e 60 a moda voltou-se para um novo grupo de consumidores, os adolescentes, também chamados de “baby boomers” – jovens que impuseram ao mundo um novo estilo e um novo comportamento. Foi neste momento que a moda saiu dos ateliers e começou a ter mais contato com as ruas, ou seja, a moda de rua passou a ser adotada pelas classes superiores. Aconteceu assim a “consagração da juventude”, mais preocupada com a originalidade e a espontaneidade, o que revigorou a moda. Ao fenômeno “trickle down effect”, proposto por Simmel, veio associar-se o seu inverso, o “trickle up effect”, que defende que a moda se difunde de baixo para cima. Isto acontece devido à crescente influência da cultura jovem na moda, causando grandes mudanças na sociedade. As modas consideradas incomuns são usadas nas classes sociais mais baixas e podem subir para outras classes mais elevadas. Por exemplo: punks, góticos, surgiram no underground londrino e emergiram para a moda da classe média.

4 – No texto acima introduz o conceito do movimento trickle-up, onde uma nova forma de aparência sai da rua e aparece como manifestação legítima de um grupo para comunicar seus sentimentos e pretensões, e ao ser apropriada pelo sistema da moda (estilistas e grandes marcas) é legitimada e se torna popular, transformando-se na moda do momento. Então, agora vamos entender um pouco mais sobre ele.

Percebemos que a rua agora influência a moda, e principalmente os jovens. Os comportamentos sociais dos adolescentes que legitimam estilos vindos da rua, como o ¬_hip-hop_, têm sido importantes para as mudanças a nível social. Essas mudanças culturais fazem emergir novas necessidades e desejos nos consumidores. As mudanças que ocorrem na segunda metade do século XX atingem praticamente todos os aspectos da sociedade e resultam, entre outras, numa atitude pró-juventude, numa recusa de envelhecer. Como reflexo, a moda jovem infiltra os grupos etários mais velhos. Nesse contexto, as produções estéticas juvenis passaram a ser referência para produção da moda, dando origem ao supermercado de estilos (tratarei em futuros posts com mais profundidade). A juventude entra na moda e a padronização acontece quando o desejo de ser e parecer jovem é imposto pela moda.

Esse conceito perdura até os tempos atuais. Os jovens laçam as tendências e os mais velhos, na busca por estarem inseridos na sociedade e pelo rejuvenescer pelo menos na aparência, adaptam-se a essas tendências. O ideal de juventude passou a ser celebrado. É nesta época que aparecem os primeiros grupos de jovens que procuram expressar sua identidade através das roupas, os teddy boys e os beatnicks, que iniciaram o que hoje se designa como cultura de rua. A moda começou a concentrar-se nos adolescentes e a expressar o seu desejo de ruptura, liberdade, revolta, modernidade, diferenciação, e assume o que se torna a característica acrescidas da moda, a expressão e a contestação. Sendo a moda o modelo estabelecido que satisfaz a procura por adaptação social, diferenciação e desejo de pertencer a um grupo social, faz com que os jovens consolidem essas características cada vez mais presentes na moda.

Sendo assim, o jovem é o agente principal quando falamos de moda e tendências. Mas não paramos por aqui. Nossa busca pela resposta, de como podemos definir a moda hoje.

5 – Os anos 1980 chegaram e com ele o ritmo das mudanças na moda acelerou.

“O novo século chegou imprimindo mais complexidade e multiplicidade nos caminhos e escolhas”. Então novos divulgadores/propagadores de moda foram adicionados aos já existentes. No período de 1980 e 1990, eles dividiram-se: na moda institucional (Alta Costura, prêt-à-porter, indústrias de corantes, fibras, tecidos e grandes magazines), nas subculturas jovens e movimentos de rua e no próprio indivíduo (personalização, customização). Isto quer dizer que no final do século XX não exista apenas um grupo lançador de tendência, mas sim vários que se complementavam e ajudavam no desenvolvimento dos produtos de moda.

Algumas destas particularidades ainda se mantém, porém acrescidas de uma que envolve extremamente a questão comercial. Talvez pelo fato de vivermos numa sociedade capitalista e de consumo, onde tudo passa a ter um prazo (curto) de validade, é que a moda precisa, sempre, se reinventar. Resultando desta questão de renovação contínua, a moda agora tem ciclos com períodos cada vez menores, tornando as propostas de vestir cada vez menos duráveis. A moda, atualmente, vive seu apogeu numa sociedade dominada pela efemeridade, sendo o símbolo máximo da renovação e da ânsia de consumo de novos produtos.

A moda transformou-se ao longo destes anos, desde sua origem até agora, tendo cada vez menos a influência de distinção social e cada vez mais a sede do novo. O desenvolvimento da moda tem sido abordado dentro de um processo no qual a tradição perdeu peso e o presente, o novo, o tecnológico e a vanguarda tornaram-se as principais referências para as pessoas.

Na moda contemporânea, os modelos e ciclos de valores, tanto da moda como da sociedade, alternam-se e modificam-se de forma cada vez mais rápida. O que alimenta a moda é o aparecimento incessante de novas tendências – atração, inclinação, direção, intenção – seja qual for o ângulo que se observe, ou o contexto que se considere – toda tendência se refere a um movimento em direção a um objeto-valor. Na moda, as tendências dizem respeito à adoção de um novo ponto de vista, capaz de garantir um princípio alternativo, mas que, ao mesmo tempo, seja suficientemente compartilhado para obter um número significativo de adeptos. As tendências são hoje um dos principais pontos a analisar no desenvolvimento de produtos, pois com as corretas informações sobre as tendências comportamentais e de moda, as empresas terão mais dados fiáveis e assim conseguirão atingir seu consumidor da melhor forma possível.

Devido a essas mudanças, tanto no ciclo de vida dos produtos quanto em relação às exigências dos consumidores, um novo sinalizador surgiu, expressando a força que o indivíduo adquiriu no mundo contemporâneo. Os trendsetters, “são indivíduos que, pela influência que seus comportamentos e aparências exercem sobre os demais, apontam tendências, fazem moda ou lançam novos estilos”. Atualmente, qualquer indivíduo pode, em algum momento, lançar um estilo que tenha influência sobre os demais. E assim surge mais um modelo de difusão da moda: o trickle across effect ou bubble up.

6 – Na nova realidade de difusão de moda, designada como trickle across effect ou bubble up, as tendências se propagam como contágio e não hierarquicamente de cima para baixo como no começo, mas horizontalmente e em sentido de leque.

Hoje as tendências podem surgir de qualquer classe socioeconômica. Agora a moda não é criada pela burguesia, nem apenas na rua, por um grupo. O bubble up effect descreve de que modo as atividades, interesses especiais e subgrupos culturais influenciam a corrente geral e é considerado como uma fonte de novas direções da moda atual.

A moda difunde-se hoje através de todas as nações civilizadas por contágio e por contato. Ou seja, nesse sistema de propagação a moda se difunde transversalmente e em todas direções. Os consumidores tendem a ser mais influenciados pela opinião de líderes que são seus similares. Com todas essas ideias expostas podemos tentar responder as nossas perguntas. E a moda hoje? Como podemos definir?

Se um dia você se depara com um desenho piramidal para simbolizar o funcionamento da moda… mesmo a pirâmide invertida, que privilegiou o nascimento das tendências nas ruas…se pensarmos bem, são ultrapassadas.

Portanto, a partir de 1990 é interessante visualizar esse funcionamento como uma rede de conexões. Ou seja, hoje as tendências são descobertas nessa rede de conexões, onde qualquer um pode lançar uma tendência e não uma classe apenas. Elas vêm de todas as direções.

Afinal de contas, moda não é apenas vestir, é um conjunto de informações que orientam costumes e comportamentos e varia no tempo e na sociedade. Aí estão incluídos, além de roupas e adornos, a música, a literatura, a arquitetura, os hábitos, enfim, tudo o que pode mudar com o tempo e que, a cada época, é ditado por determinada tendência. A moda hoje representa uma nova categoria cultural, uma nova maneira de entender a evolução da sociedade e uma forma de intervenção na realidade cultural atual.

O mercado da moda é um segmento que está sempre cercado por mudanças e novidades, independente de época ou lugar.

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